9 de fevereiro de 2012

Ciclos II

Vôo livre e desgovernado;
Pássaro errante ludibriado.
Volta em cima e embaixo;
Sobrecarregado de Desleixo.

Na mente a mera lembrança;
Das coisas da vida, da dança.
Voa à frente, volta atrás;
Num mergulho se desfaz.

_
O seu canto, não mais se ouve;
Lhe pergunto, então, Albatroz:
O que de mal lhe houve?
Que tormento aqui o traz?

"Mergulhando, voando e vivendo
Seguia os dias a esmo, no mundo.
Voava só, como errante solitário
Sem me importar com calor ou frio.
Nos mares, de norte a sul viajei
A quantos olhares já Impressionei.
Aos poucos, no entanto, me enchi de desejo
Vontade do mundo, em súbito ensejo.
Dai em diante, me enchi de ruína
Rondava a noite, feito ave de rapina.
Nenhum prazer no mundo me bastava
Todo amor converteu-se em raiva.
Que outro mal levaria um ser
a querer deixar de viver?"

_
Ave tola e desesperada;
Seu ímpeto lhe custa caro.
Pela perda, já esperada;
Mergulhaste fundo o barro.

_
Daqui não sairá, sinto lhe informar
Da terra agora fazes parte.
Se despeça da liberdade do ar
E se junte ao coro da morte.

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