2 de maio de 2013

Ciclos

"Voar não posso. Andar me custa paciência.
 Que tormento me causou minha imprudência.
 Abandonado nessa incrível terra isolada
 onde a razão que conheço não vale nada.

 E a chuva, que torna o chão barroso;
 Fazendo o passeio ainda mais custoso.
 Entretanto, parar não é uma boa escolha;
 Isso, claro, se a intuição não me falha.

 Me assustam, esses vultos vaporosos.
 Embora riam, não parecem amistosos.
 Mas antes fossem só eles a me assustar;
 Todo o resto parece se mover neste lugar.

 Até as rochas estão em visível metamorfose.
 Observando bem, mais parece uma apoteose.
 Tão gracioso movimento já causa efeito
 afastando o medo que tomava-me o peito.

 Como é bom me ver livre do medo;
 E reavaliar este lugar como um todo.
 Afinal, é como me disse meu anfitrião;
 Aqui eu ficarei, quer goste, quer não.

 Pois que assim seja, afinal de contas;
 Mais uma aventura dentre outras tantas.
 Talvez aqui é onde eu possa encontrar
 o que eu buscava e não tinha em meu lar."
 -sai-

 -Vulto, ao longe-
"Meus parabéns, caro visitante.
 É certo que chegou aqui por desespero.
 Mas demonstrou força, nesse instante.
 Vejamos como se sai no caminho severo."

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